Tudo sobre o “tabaco aquecido”


Já tratamos superficialmente sobre o tabaco aquecido, agora chegou a hora de nos aprofundarmos no assunto que está ganhando força no mundo e pode eventualmente chegar ao mercado brasileiro, sendo uma opção àqueles que querem migrar para um produto com menos risco e alternativo ao tabaco convencional.

O tabaco aquecido é a aposta das grandes empresas como BAT (British American Tobacco, a nossa Souza Cruz) e a Philip Morris, como carro chefe nas opções de produtos com risco reduzido, lembrando que ambas também possuem soluções de vaping com aparelhos estilo caneta e até sistemas fechados como pods, por isso quando vejo comentários nas mídias sociais do tipo “o vapor no Brasil não é liberado por causa do lobby contrário das indústrias tabagistas” eu percebo tamanha ironia quando a situação é exatamente a oposta e são as mesmas empresas que inventaram os cigarros que possuem hoje grande interesse na liberação do vaping no Brasil.

Temos no país mais de 20 milhões de fumantes e quase metade do consumo de cigarros é de produtos contrabandeados ou falsificados, além de que ano a ano as vendas continuam caindo no então uma migração se torna inevitável para sobreviver no mercado.

O tabaco aquecido poder servir para aqueles que não consigam se acostumar com o vapor por qualquer motivo ou aqueles que procuram uma experiência idêntica ao ato de fumar, pois há no produto a presença de um “cigarro” chamado de “bastão de tabaco” ou “heat stick”.

Apesar da presença do bastão de tabaco, temos um dispositivo eletrônico que aquece o tabaco ao invés de queimá-lo, produzindo um vapor aerosol que contém nicotina e sabor.

Tabaco queimado vs tabaco aquecido ou “heat not burn”


Um dos maiores problemas do cigarro é a forma como ele é consumido. Ao acender um cigarro ele atinge 600º C e forma uma fumaça que contém mais de 7.000 substâncias químicas. É deste processo que são criados os subprodutos cancerígenos. Ao mudar a forma de consumo do produto as empresas tentam diminuir os riscos atrelados a ele, aquecendo ao invés de queimar. 

Para produzir um produto mais seguro também foi alterada a composição do próprio tabaco utilizado que no caso do IQOS da Philip Morris é chamado de “tabaco reconstituído” e que não queima nem quando exposto à chama.

No tabaco aquecido como o próprio nome já diz, o tabaco não queima portanto não libera essas mesmas substâncias, criando um vapor e não fumaça. Até então, como veremos a seguir, já existem muitos estudos que estão mostrando a eficácia e segurança dos produtos.

Como os aparelhos funcionam


Apesar de similares, existem diferenças entre os produtos da BAT e da Philip Morris, únicos disponíveis até então no mercado.

No caso do GLO da BAT o aparelho usa bastões de tabaco com formas similares aos cigarros estilo Vogue ou Capri, comercializados no Brasil, compridos e finos. Em seu site a empresa afirma que o produto aquece o tabaco até 240º C produzindo um aerosol de nicotina. Quando conversei com uma colaboradora da empresa no stand da BAT no 5º Fórum Global Sobre a Nicotina que participei em Varsóvia na Polônia, foi-me dito que o GLO aquece por toda a extensão do bastão de tabaco, por isso ele possui um formato similar a um cigarro normal, porém ele é fino para permitir que o aquecimento seja uniforme.

Já seu concorrente, o IQOS da Philip Morris, trabalha com uma lâmina de aquecimento e portanto foi preciso adaptar seu bastão de tabaco para funcionar com este dispositivo, por isso que os “heat sticks” ou “bastões de aquecimento”, cujo nome comercial é “Heets” são muito menores com um comprimento que dá metade de um cigarro convencional, incluindo filtro. A engenharia por detrás desta escolha também foi em busca de um aquecimento uniforme.

O desenvolvimento de ambos os produtos demonstra grande preocupação em controlar a entrega de temperatura e aquecimento dos bastões de tabaco, garantindo que não queimem e possam estar livres da produção compostos nocivos. Abaixo você pode conferir um vídeo mostrando em detalhes da engenharia por detrás do IQOS:

 

Pesquisas científicas


Durante o 5º Fórum Global Sobre a Nicotina que o Vapor Aqui cobriu no mês passado em Varsóvia na Polônia, pudemos conferir alguns estudos em primeira mão sobre o tabaco aquecido. Um destes estudos foi o da Dra. Christelle Haziza que pesquisou marcadores biológicos durante um período de 6 meses em 3 grupos distintos de indivíduos: usuários de IQOS, fumantes e abstinentes.

A pesquisa toda é complexa e cheia de números e termos científicos, podendo ser conferida neste link, mas resumindo: usuários do IQOS se aproximaram em resultados dos usuários abstinentes e concluiu-se que apesar de não fumar seja a melhor alternativa, não há dúvidas que é preferível migrar para o tabaco aquecido do que continuar fumando. 

Outro estudo que corrobora estas informações foi o realizado por um grupo de cientistas que compararam os efeitos cardiovasculares entre parar de fumar e continuar fumando usando o sistema do IQOS. Novamente os resultados entre o grupo que parou de fumar são muito similares ao grupo que continuou fumando usando o sistema de tabaco aquecido, mostrando que há pouca diferença entre usar o produto ou não usar nada, o que é ótimo.

Apesar das boas notícias, todos os estudos até agora não haviam sido independentes, ou seja, haviam relações diretas ou indiretas com os fabricantes, o que agrega um certo grau de ceticismo aos resultados.

O primeiro estudo independente foi o do Dr. Konstantinos Farsalinos, uma das personalidades mais respeitadas no mundo em matéria de saúde e sua relação com o tabaco e alternativas de risco reduzido, principalmente acerca dos cigarros eletrônicos. O estudo realizado comparou três métodos em busca da Carbonila, substância ligada à composição de aldeídos, cetonas e outros produtos cancerígenos. No estudo foram comparados resultados entre o consumo do cigarro Marlboro Vermelho com um Nautilus Mini (atomizador de cigarro eletrônico muito famoso na Europa, estilo MTL ou “boca pulmão”, a mesma tragada do cigarro) e também comparando com um IQOS. Você pode conferir o estudo neste link.

Enquanto o cigarro eletrônico com o atomizador Nautilus Mini entregou entre 97% a 99% menos níveis de Carbonila, o tabaco aquecido entregou entre 85% a 95% a menos da substância, o que o torna extremamente menos prejudicial do que o cigarro convencional, apesar de não tanto quanto o cigarro eletrônico.

Muitos outros artigos científicos e pesquisas podem ser acessados diretamente pelo site da Philip Morris voltado à este material através do link https://www.pmiscience.com/library 

Assim como os cigarros eletrônicos, o tabaco aquecido ainda não possui estudos à longo prazo, porém já possuem fortes indícios de seus benefícios à curto prazo quando comparados aos cigarros tradicionais e a migração de um para outro já garante benefícios à saúde dos fumantes.