Conheça os “Produtos de risco reduzido”


Uma das principais coisas que eu trouxe de minha viagem à Polônia para cobrir o 5º Fórum Mundial Sobre a Nicotina provavelmente foi o entendimento que existem outras alternativas para o tabagismo tradicional e não apenas os cigarros eletrônicos.

Um dos principais pontos defendidos por cientistas, estudiosos e outras pessoas importantes na área de saúde e defesa dos consumidores que atenderam ao evento é a questão da escolha e da necessidade de termos alternativas. O que funciona para uma pessoa não necessariamente funcionará para a outra, isso significa que nenhum produto conseguirá obter 100% de aceitação, portanto é preciso alternativas de risco reduzido que se encaixem no perfil de todos os consumidores, não apenas de uma parcela, por maior que seja.

Portanto o Vapor Aqui traz a vocês um breve resumo das alternativas de produtos com risco reduzido que estão disponíveis neste momento e que terão cada uma delas artigos bem mais completos e aprofundados em um breve futuro.

SNUS


Você provavelmente numa ouviu falar do SNUS, um produto de tabaco úmido em formato de sachê que é consumido colocando-o na gengiva e ali permite a absorção de nicotina. Foi inventado há quase 200 anos pelos Suecos e seu sucesso foi tamanho que conseguiu diminuir para apenas 1% o número de mulheres fumantes na Noruega, onde o produto é mais popular que o cigarro tradicional.

Mesmo assim o SNUS foi banido em toda a União Européia, exceto da Suécia que foi a inventora do produto. O caso foi chamado pelo Dr. Farsalinos (para quem não conhece, um conceituado cientista defensor dos cigarros eletrônicos) durante o evento na Polônia como “o maior escândalo sanitário de toda a história da Europa” perpetrado pela Organização Mundial da Saúde que proíbe um produto que é o único método alternativo que efetivamente possui estudos à longo prazo e que não apontam problemas no seu uso.

Tabaco Aquecido ou Heated Tobacco


O tabaco aquecido ou “heated tobacco” em inglês, é a grande aposta das gigantes do tabaco como a BAT (British American Tobacco, a nossa Souza Cruz) e a Philip Morris. 

A nova tecnologia ao invés de queimar o tabaco o aquece, prometendo muito menos danos ao organismo.

Grande parte dos subprodutos nocivos que o cigarro tradicional produz vem da forma como ele é consumido. 

Nesta linha de tabaco aquecido a BAT (nossa Souza Cruz) apresentou no evento o seu produto GLO, mas infelizmente não consegui uma unidade para trazer e testá-la, porém recebi uma unidade de cada um de seus outros dispositivos e teremos análises individuais de cada um deles num futuro próximo. No caso do GLO, quem sabe algum representante da empresa leia este artigo e se interesse em mandar um pra gente analisar por aqui.

Em contrapartida já estamos produzindo a análise do IQOS da Philip Morris que foi muito solícita em questão de informações e parece estar realmente comprometida a trocar seus cigarros convencionais pelas alternativas de menor risco, haja visto o compromisso público da empresa que assumiu na virada do ano quando declarou que estaria efetivamente em processo de transição em parar de fabricar cigarros.

A Philip Morris parece ter um produto mais maduro do que o do seu concorrente, pois o IQOS já está consolidado em alguns mercados como o Japão, atingindo grande sucesso num mercado em que o tabaco aquecido é liberado, mas os cigarros eletrônicos não são tão bem vindos. Também pude ver o IQOS sendo vendido em lojas próximas ao evento na Polônia, inclusive vi várias pessoas na rua usando o produto, que aliás apenas confirma o quanto a Europa é uma grande consumidora de cigarros, pois vi muito mais gente fumando por lá do que costumo ver aqui no Brasil.

Sem muitos spoilers, o IQOS entrega uma sensação literalmente igual ao ato de fumar um cigarro, o que o vapor consegue apenas imitar com certo grau de satisfação, mas nunca de forma totalmente idêntica.

Segurança e estudos de risco


Como esses produtos são ainda mais novos do que os cigarros eletrônicos, é de se esperar que não existam estudos de longo prazo, porém já existem pesquisas e resultados promissores. A maioria delas infelizmente ainda são das próprias empresas fabricantes e há nisso um ceticismo natural da comunidade científica ao ver pesquisas feitas por quem fabrica o produto, mas já existe um exemplar de pesquisa independente com o Dr. Farsalinos cuja credibilidade é inegável e que lançou este artigo sobre o assunto. Eu pude entrevistar o Dr. Farsalinos enquanto estávamos no evento na Polônia e de acordo com o especialista em uma escala de risco de zero a 10 enquanto zero é não fumar nada e 10 é fumar um cigarro tradicional, o vapor pode ser enquadrado no risco 1 a 2 e o tabaco aquecido de 2 a 3 e é exatamente isso que as pesquisas científicas tem apontado.

Portanto, apesar de não ser tão seguro quanto os cigarros eletrônicos, é muito mais seguro que o fumo convencional e uma alternativa muito mais próxima do ato de fumar do que o cigarro eletrônico jamais poderá entregar. Para quem não consegue migrar para o vapor e continua querendo fumar pode ser uma excelente notícia.

“As pessoas precisam ter o direito de escolha”


Um dos pontos mais defendidos pelos estudiosos no evento da Polônia foi a necessidade de livrar o mundo dos cigarros tradicionais e trocar por produtos menos prejudiciais, não necessariamente extinguindo o ato de fumar, mas substituindo por um que possa ser usado sem causar doenças e sofrimento. Logicamente que não fumar nada é melhor para sua saúde, mas voltamos à questão da escolha, pois comer carne também não é o hábito mais saudável, viver em grandes centros metropolitanos com mais poluição também não é o ideal, consumir alimentos industrializados, beber cerveja, tudo isso são escolhas de vida que as pessoas fazem e devem ter o direito de fazer. Se alguém quer fumar, por que não poderia fazê-lo? A questão é poder fazer isso sem se matar no processo.