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Análise Matsu Coils

Raio-x da marca


As informações contidas neste artigo são válidas para sua data de publicação, podendo ser alteradas pela marca a qualquer tempo.

Nome: Matsu Coils
Tipos de resistências: Variadas, inclusive sob medida
Faixa de preços: R$ 9,50 a R$ 19,00 
Site do fabricante: Matsu Coils
Loja virtual: Sim
Formas de pagamento:  Depósito e PagSeguro

Sobre a Matsu Coils


Julio Matsuzawa, mais conhecido como Matsu, é um dos cabeça chave na organização dos encontros Vape On.

Se eu tive a ideia de criar o fórum Vape On, que uniu os maiores grupos do vapor brasileiro sob uma mesma bandeira, então o Matsu pode ser considerado um dos principais responsáveis por transcender essa ideia para fora da Internet, investindo tempo, muito carinho e dedicação nos encontros realizados em São Paulo, que já chegaram a quase 200 pessoas.

Encaminhando para sua quarta edição neste dia 15 de Julho eu aproveito e lhe convido a participar, saiba mais sobre o 4º Evento Vape On através deste link.

Mas a história do Matsu vem muito antes do Vape On e enquanto alguns veem no vapor apenas uma forma de parar de fumar, ele transformou o hobby em arte, sendo hoje um dos principais “coil makers” do País.

Para quem não sabe a maioria dos atomizadores possuem bases RBA que significa “Rebuidable Base Atomizer” ou “Base de Atomizador Reparável”. É a peça que permite instalar suas próprias resistências utilizando fios Kanthal, Nichrome, Níquel, Titânio e Aço Inox, enrolando-os em bobinas e instalando na base. É isso que esquenta o líquido que vaporamos, mas todo esse básico você pode conferir através de vários artigos aqui do site, este é um deles.

Como o ser humano é um bicho engenhoso, rapidamente a necessidade virou hobby e foram inventadas resistências mais complexas que aumentam o sabor e o vapor que sentimos e produzimos usando nossos aparelhos.

A coisa toda progrediu muito e temos hoje “coil makers”ou “coil builders” que são verdadeiros artistas e fazem das coils suas obras de arte. Matsu é um desses artistas brasileiros, que além de fazer coils que são inclusive prestigiadas por famosos Youtubers internacionais, ele também as faz para venda e utilização por nós pobres mortais. 

Matsu já teve coils selecionados na “Coil Wars”, um evento criado pelo Youtuber OhmBoy Josh, que é basicamente o mais próximo possível de um Oscar do vapor, apenas sem o glamour e o tapete vermelho. O feito foi inclusive motivo de uma matéria aqui no Vapor Aqui que fala de sua Double Helix Stove Top Matrix Coil e se o nome é complicado, confira abaixo como é a coil e imagine o trabalho para fazê-la.

Mas fazer arte não é o mesmo que fazer bons produtos comerciais e é o que esta análise vai tentar conferir. 

A Embalagem


Gostei muito do cuidado com a embalagem de envio. Apesar de ser itens relativamente pequenos e com poucas chances de serem quebrados, mesmo assim a Matsu Coils enviou em uma caixa recheada de “cheetos” de isopor para garantir que os produtos chegassem intactos.

Recebi dois tipos de embalagens, uma em formato tubular de plástico e outra em formato circular de alumínio, ambas com etiquetas de boa qualidade de impressão.

A embalagem de plástico tubular é a mesma usada em alguns temperos que vemos no mercado, achei a ideia engenhosa pois pode ser reaproveitada após o uso das coils, por outro lado ela é exageradamente grande para acomodar os produtos. Apesar que em ambas as embalagens também contém pads de algodão que são enviados gentilmente pela marca (2 na tubular e 1 como uma “cama” para as Fused Claptons), ainda preferia ver embalagens menores. Também gostaria de ver, mesmo à caneta, a informação da quantidade de coils que cada embalagem possui.

As informações são bem completas, porém apresentadas em uma linguagem técnica que pode confundir os menos acostumados com a convenção adotada para descrever uma coil mais complexa.

Tente entender: recebi 10 coils na embalagem tubular e 4 na embalagem de alumínio. Na primeira temos Clapton Coils feitas de fios 26N80 / 36 – 0.38 ohms, com 6 voltas @ 3mm e na segunda embalagem 4 Fused Claptons feitas de fios 2*28N80 / 36 – 0.26 ohms com 6 voltas @ 3mm.

Exatamente! Muitos nomes, números, letras e símbolos. Vamos detalhar:

Então na embalagem tubular temos Clapton Coils feitas de um núcleo único de AWG 26 (0,40 mm) de Nichrome N80 com AWG 36 (0,13 mm) enrolado em volta deste núcleo, com o fio dando 6 voltas com 3 mm de diâmetro medindo em pares 0.38 ohms e na embalagem redonda de alumínio temos Fused Claptons com núcleo feito de 2 fios de AWG 28 (0,32 mm) de Nichrome 80 com AWG 36 (0,13 mm) enrolado em sua volta com um total de 6 voltas do fio completo com 3mm de diâmetro interno, resultando em 0.26 ohms o par…ufa…pausa para respirar…

É importante salientar que a informação da resistência em ohms é sempre para o PAR de coils instaladas, ou seja, cada coil individualmente possui o dobro disso, no caso as Claptons devem ter 0.76 ohms e as Fused Claptons 0.52 ohms cada.

No caso da embalagem de alumínio ela é um pouco chata de abrir e fechar pois o alumínio é fino e trabalha um pouco. Além disso a etiqueta colada na parte de cima é maior que a embalagem em si, sobrando nos lados. Mas essas são questões menores e um preciosismo de minha parte.

O produto


Agora vamos ao que interessa! As coils!

Começamos falando das Claptons. Gosto muito desse estilo de coils, acredito que aumentam exponencialmente o sabor dos juices e é o meu tipo preferido de dual coil pois não gosto de resistências muito baixas e as Claptons me deixam sempre na média de 0.20 ohms a 0.30 ohms mínimos.

Ao manipular as resistências pude perceber que os fios são extremamente limpos, mesmo assim tentei fazer uma higienização e não percebi nenhum resíduo. Para efeito de comparação coloquei o par de Claptons da Matsu Coils ao lado de uma resistência que comprei da marca Demon Killer (à direita), importando da Fasttech.

É possível notar claramente a maior delicadeza da bobina da Matsu Coils por utilizar um fio bem mais fino como “wrap” (o fio externo) enquanto a Clapton importada utiliza um fio muito mais grosso.

A escolha do fio mais fino ajuda em várias coisas, a primeira é no “ramp up time” ou “tempo de aquecimento”.

Com fio mais fino temos um tempo de aquecimento menor, sendo possível utilizar potências mais baixas e mesmo assim ter um aquecimento rápido, resultando em maior vaporização do juice. Um fio mais fino também significa mais voltas para compor a Clapton, o que consequentemente aumenta a quantidade de material e a quantidade de juice que ela consegue absorver, também aumentando a vaporização.

É difícil achar Claptons feitas com fio tão fino por exigir um trabalho muito mais minucioso.

Optei por usar o atomizador da Wotofo The Troll, muito parecido com o Serpent Mini e conhecido pelo seu sabor. É um atomizador de 24mm com poste dual coil com design diferenciado. Instaladas as coils, fiz o dry burn e obtive o característico azulado do Nichrome N80, para então aproveitar a gentileza do envio dos pads de algodão orgânico e wickei estilo Scotish Roll.

Aqui eu preciso deixar algo muito claro. Quando fazemos uma coil, a quantidade de material, o tipo de coil, quantidade de voltas, tudo isso influencia na resistência final. Cortar uma perna um pouco menor, uma volta meio torta, qualquer coisa pode influenciar a quantidade de ohms e provocar variações mínimas. Só o ato de se aquecer as coils já pode modificar sua resistência.

Atingir exatamente os 0.38 ohms descritos na embalagem em uma build Dual Coil é algo que eu considero de extrema qualidade técnica e uma prova absoluta de que a marca Matsu Coils tem total controle do que está fazendo. Well played Matsu. Well played.

Parti então para a Fused Clapton.

Desta vez optei por um atomizador single coil, portanto utilizei um Pharaoh RTA e instalei uma das Fused Claptons.

Também tentei higienizar a coil, mas não notei nenhum tipo de resíduo, o metal estava impecavelmente limpo. O processo aqui foi o mesmo, só que com apenas uma coil. Como escolhi uma com as pernas um pouco maiores e já que o deck do Pharaoh é bem grande, resolvi fazer mais uma volta na coil, ficando com um total de 7 voltas.

Queimei a coil, utilizei o algodão orgânico enviado junto com as coils no estilo Scotish Roll e obtive o mesmo azulado característico do Nichrome 80. Por ter feito uma volta a mais, obtive uma resistência um pouco maior do que o esperado, totalizando 0.63 ohms.

Quis me certificar que a mesma precisão das Claptons foi usada nesta coil então também montei para teste meu Velocity V2 com duas coils, eu queria saber se daria os prometidos 0.26 ohms.

Para não me comprometer com a build e poder utilizar as coils no futuro, não cortei as pernas. O resultado foi 0.27 ohms, o que condiz perfeitamente com a indicação no rótulo, pois devemos contar com a retirada do excesso de metal e com o dry burn, o que certamente acabará diminuindo pelo menos 0.01 ohm do resultado, finalizando nos exatos 0.26 ohms prometidos. Impressionante.

Se do ponto de vista técnico estava tudo perfeito, as coisas só melhoraram quando finalmente vaporei utilizando o setup.

As Claptons se comportaram acima do esperado. Inicialmente utilizei meu IPV D2 para tocar o The Troll, que é um atomizador baixinho e gordinho porém por ser um aparelho de apenas uma bateria e com potência máxima de 75W eu achei que as coils mereciam mais. Movi o atomizador para meu Predator 228W e usei 70W sem sinal de dry hits e com sabor e vapor fantásticos. Aumentei para 80W, 90W e fui até 100W sem sinal algum de sabor queimado ou qualquer alteração, apenas obtendo mais vapor e com uma temperatura maior, nenhum sinal de dry hits. À partir daí o vapor para mim é quente demais e chega a ficar incômodo, voltei aos 70W que considerei o sweet spot para esta build.

Já a Fused Clapton realmente me surpreendeu. Não por aguentar grandes temperaturas, mas pelo sabor. Modéstia a parte é difícil eu errar em uma build, até porque hoje em dia as coisas estão bem mais fáceis. Os atomizadores são ótimos, os decks são grandes, temos opções com airflow exclusivamente superiores que nem vazamentos são motivos de preocupação, mas eventualmente temos uma build que fica além do normal e esta ficou assim. 

A coil aquece rapidamente, o sabor vem puro e cristalino, mesmo que boa parte do resultado obviamente seja o atomizador que ajuda, a coil ficou sensacional. Eu não sou estranho à coils mais complexas e apesar de ter experimentado muitas e sempre ter algumas Hive, Tiger, Alien, Staggered e afins, vou ter dó de jogar esta fused fora quando for a hora.

Conclusão


Para mim já foi a época de enrolar fiozinho e fazer minhas próprias coils, há algum tempo tenho optado por comprar coils prontas, normalmente de marcas como Geek Vape e Demon Killer. No máximo faço coils simples de aço inox para controle de temperatura, mas coils mais complexas? Nem pensar.

Nunca fui artista, mas aprendi a fazer Claptons e outras variações sem passar vergonha, tanto que comprei até uma parafusadeira e toda sorte de acessórios só pra isso. Mas já há algum tempo que opto por utilizar apenas as prontas.

Saber que é possível ter essa qualidade tão perto da gente é muito bom!

 

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