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A importância de se escolher a correta quantidade de nicotina em seus líquidos

Quando começamos a usar o cigarro eletrônico somos obrigados a escolher sozinhos as dosagens de nicotina que iremos consumir pois não existe uma tabela ou regra fixa a ser seguida, sendo o valor influenciado principalmente pelo tipo de aparelho, modelo de atomizador e também pela potência utilizada, bem como a própria resposta do organismo. Apesar de ser possível encontrar informações na comunidade, baseadas nas experiências de usuários, não quer dizer que estes parâmetros funcionem para você, mas pelo menos é um bom ponto de partida.

A tabela abaixo não é resultado de nenhuma pesquisa científica ou artigo acadêmico, sendo unicamente uma compilação retirada de relatos que usuários publicaram em mídias sociais que o Vaporaqui.com.br compilou e publica aqui. Muitos podem não concordar com os valores descritos e iniciar com um percentual de nicotina diferente do indicado, de qualquer forma apresentamos um dos únicos referenciais que pudemos produzir até o momento:

Como pode ver, muita coisa ainda se resume na tentativa e erro, forçando o vaper a fazer uma autodosagem, comprando ou fazendo líquidos com concentração maior ou menor dependendo da reação de seu organismo. No começo é possível não acertar na dose correta que pode ser insuficiente e não saciar, levando o usuário à ter recaídas e voltar para o cigarro convencional até conseguir fazer ou comprar um juice com uma nicotina mais potente, porém a alternativa é bem pior, com o risco de obter uma primeira dose grande o suficiente para causar uma overdose.

A overdose de nicotina pode causar náuseas, salivação excessiva, cólicas estomacais e sudorese, chegando a causar vômitos, fraqueza, dificuldade para respirar e desmaios. Sintomas da overdose aguda são palpitações cardíacas, convulsões e coma. A falta de tratamento pode resultar em morte. É por isso que tanto insistimos em segurança como luvas, óculos de proteção e muito cuidado na hora de lidar com nicotina concentrada para fazer seus juices. Porém este tipo de situação é rara e concentrações altas o suficiente para causar algum estrago não são normalmente encontradas em juices comerciais, nacionais ou importados, quando suas concentrações máximas oferecidas tendem a ser no máximo de 16mg a 24mg, ficando o perigo mais para quem faz seus próprios líquidos e lida diretamente com nicotina concentrada.

Este é mais um problema que a falta de regulamentação cria no Brasil quando um fumante que deseja parar usando o cigarro eletrônico encontra dificuldade em obter informação de qualidade sobre esta e muitas outras questões, podendo acabar comprando um aparelho ou um líquido que não são condizentes com a concentração correta de nicotina que deveria ser consumida, sem falar em equipamentos superfaturados e até falsificados que expõem o cliente à riscos de acidentes.

Recentemente o tema atraiu a atenção de pesquisadores, pois uma nova legislação determina que à partir de Fevereiro de 2017 o mercado de líquidos do Reino Unido não poderá mais oferecer produtos com mais de 20mg de nicotina por ml de líquido. É sabido que 9% dos vapers do Reino Unido utilizam concentrações acima deste valor, resultando em mais de 200.000 pessoas que serão diretamente impactadas.

Preocupada com este cenário, a Doutora Lynne Dawkins da Universidade de South Bank, no Reino Unido, apresentou no Fórum Global da Nicotina deste ano uma pesquisa intitulada “Comportamento compensatório de tragadas nos cigarros eletrônicos: entrega de nicotina no sangue e efeitos subjetivos”. O estudo quis descobrir quais as consequências para os vapers que utilizam uma concentração de nicotina maior do que o limite que será estabelecido pela nova legislação à partir de 2017 quando forçados a usar uma concentração menor da substância e assim estarem dentro das novas regras.

O aparelho escolhido para o estudo foi um Evic Supreme por possuir um software de acompanhamento pelo computador e também por calcular a quantidade de vaporadas realizadas pelo aparelho. A metodologia consistiu em medir a quantidade de “cotinine”, um marcador biológico da saliva, para deixar então os participantes sem vaporar durante uma noite inteira. Eles então foram questionados sobre sua vontade de fumar para obter um referencial de desejo ou “fissura”. Os escolhidos então vaporaram durante 10 minutos e a mesma pergunta foi feita, sendo repetida o método de análise após 30 minutos e finalmente após 60 minutos. Foram utilizados líquidos com concentrações de 6mg/ml e 24mg/ml paralelamente nos chamados grupos contrabalanceados e duplos-cegos (os usuários não sabiam exatamente o que estava acontecendo).

Foi clara a tentativa de compensação dos usuários ao aumentar a quantidade e o tempo de cada vaporada quando utilizado o juice com 6mg, equilibrando a falta que a substância fez ao seu organismo por estar em menor concentração, porém, apesar deste aumento significativo da frequência e do tempo de cada vaporada, na prática os usuários declararam que conseguiram se satisfazer com apenas 6mg, apesar desta necessidade de usar os aparelhos com maior frequência e prolongar o tempo de cada vaporada. Mesmo assim o nível de nicotina no plasma do sangue ficou muito mais baixo usando o juice de 6mg do que o de 24mg.

Apesar dos resultados serem aparentemente satisfatórios, a Doutora Lynne explica que a diminuição da nicotina pode ser um falso benefício, pois o aumento da quantidade de vaporadas, bem como o tempo de cada vaporada, podem contribuir para maiores problemas no futuro. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Dr. Farsalinos, uma das referências no mundo científico que tem analisado de perto os cigarros eletrônicos, a utilização mais frequente e prolongada de aparelhos, quando atrelada à altas temperaturas, podem levar a produção de produtos nocivos e cancerígenos, normalmente atribuídos aos dry-hits, que estatisticamente aconteceriam com mais frequencia neste cenário.

A conclusão que se chega neste estudo é que é preferível manter uma concentração maior de nicotina para se saciar em poucas vaporadas do que diminuir esta concentração de nicotina e ter que compensar através de vaporadas mais frequentes e longas, mostrando que a determinação do Reino Unido de limitar a concentração máxima de nicotina em 20mg/ml em 2017 pode não ser a mais acertada do ponto de vista do bem estar da saúde dos vapers.

Como o objetivo é não apenas para de fumar, mas zerar o uso de nicotina com o tempo e em suma largar também o vapor por completo, o ideal é uma mudança gradativa entre as diversas concentrações intermediárias de nicotina, acostumando-se com cada etapa e não apressando esta mudança de hábito que seu corpo irá enfrentar. Uma vez que você se sinta à vontade para prosseguir, pode novamente diminuir a dosagem até chegar a zero, mas sempre com cuidado para não acabar vaporando mais para ter que compensar.

Fonte da pesquisa: Youtube

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