31 de Maio – Dia Mundial Sem Tabaco


Hoje é o “Dia Mundial Sem Tabaco”, uma data criada pela Organização Mundial da Saúde para chamar a atenção a este problema global que atinge 1 bilhão de pessoas fumantes e que mata mais de 6 milhões de pessoas todos os anos por problemas ligados diretamente ao consumo de tabaco.

O Dr. Farsalinos, uma das figuras mais importantes do meio vaping que pesquisa de forma idônea e neutra acerca dos cigarros eletrônicos, publicou um artigo em seu site que apresentamos traduzido abaixo:

31 de Maio de 2018, o Dia Mundial Sem Tabaco. Este é (mais um) dia para nos lembrar quão mortais são os efeitos do fumo. Este problema global é não ligado apenas ao fato de que mais de 50% dos fumantes morrem prematuramente (perdendo em média 10 anos de vida) por problemas relacionados ao tabagismo. É até mais importantemente ligado ao grande prevalecimento* do tabagismo por todo o mundo. Há mais de 1 bilhão de fumantes no mundo. E este não é apenas um problema dos países em desenvolvimento. A União Européia ainda possui uma prevalência1 de 26% enquanto a Grécia possui uma prevalênciade quase 33% (de acordo com meu último estudo).

1: Prevalência é um termo científico normalmente utilizado em epidemiologia e toxicologia para determinar uma parcela de uma população afetada por uma condição de saúde.

O tabagismo matou mais de 100 milhões de pessoas durante o século 20, mas o problema para o século 21 será muito mais intenso. A Organização Mundial da Saúde estima que enquanto hoje 6 milhões de pessoas morrem prematuramente todos os anos, este número vai aumentar para 8 em poucos anos. Um bilhão de mortes prematuras são esperadas no século 21. Portanto, o tabagismo ainda é a principal ameaça à saúde e um grande fardo na expectativa e qualidade de vida.

Existem décadas de intenso esforço no combate à epidemia do tabagismo. Obviamente, a prevalência do tabagismo diminuiu substancialmente desde o primeiro relatório do Cirurgião Geral2 em 1964 e não há dúvidas que os esforços no controle do tabagismo que se provaram efetivos em reduzir o tabagismo precisam continuar e ser implementados globalmente. Mas ainda há muito o que ser feito. O dia em que o tabagismo vai se tornar obsoleto não parece estar perto.

2: Cirurgião Geral (“Surgeon General”, não confundir com “General Surgeonl” que seria o que conhecemos como o médico cirurgião que atende diversas áreas) é um título criado pelos EUA e adotado por diversos países que compõem a Organização do Tratado do Atlântico Norte, também conhecido como NATO, que dá à pessoa designada as responsabilidades de ser o chefe geral da nação em tudo o que diz respeito à questões de saúde de seu país.

Os fumantes de hoje são bem informados sobre os efeitos nocivos do tabagismo. Eles tem a possibilidade, pelo menos em países desenvolvidos, de pedir ajuda profissional através de clínicas preparadas para lidar com o tabagismo e oferecer medicamentos e apoio psicológico. Fumantes precisam ser convencidos a pedir por ajuda. Eles precisam ser convencidos que parar de fumar é uma das melhores medidas preventivas para uma grande variedade de doenças e deve ser feito o mais cedo possível. E eles precisam de ajuda porque parar de fumar é uma tarefa muito difícil (e muitas vezes fracassada se feita sem ajuda). Os Estados deveriam ajudar provendo incentivos financeiros (subsídios) para este tipo de tratamento. Estes esforços devem ser expandidos, principalmente em países em desenvolvimento. Entretanto, mesmo em países desenvolvidos, clínicas de anti-tabagismo não são muito populares entre os fumantes, enquanto todos os métodos aprovados de cessação falham na maioria dos fumantes que os experimentam. Ao mesmo tempo, precisamos lembrar que parar de fumar é a prioridade número um.

Ao longo dos últimos anos, estamos testemunhando uma grande revolução na batalha contra o tabagismo com o desenvolvimento e a disponibilidade de produtos de tabaco com risco reduzido. Cigarros eletrônicos se tornaram muito populares, especialmente depois de 2010. Sua popularidade é na maior parte confinada aos fumantes (quando analisamos o uso frequente/regular e não apenas a experimentação) e há uma boa razão pra isso. Seu uso relembra o ritual do fumo ao mesmo tempo que entrega nicotina. Mas eles não entregam os subprodutos da combustão que são emitidos na fumaça dos cigarros. Enquanto cigarros eletrônicos não são livres de risco e portanto não recomendados para não fumantes, eles podem ser literalmente ser os salva-vidas para fumantes que não querem parar de fumar por si mesmos ou utilizar métodos atualmente aprovados. Existe extensa evidência em seus perfis de risco e o impacto na saúde pública já é evidente em locais em que seu uso como substituto do fumo é endossado pelas autoridades de saúde, como é o caso da Inglaterra. Cigarros eletrônicos entretanto não são ideais para todos os fumantes. Novos produtos de riscos reduzido como produtos de tabaco aquecido tem sido desenvolvidos e passarão a ser mais disponíveis, podendo ser uma oportunidade adicional para fumantes pararem de fumar. Enquanto evidência destes produtos ainda é limitada e quase exclusivamente informada pelos próprios fabricantes, precisamos ter a mente aberta e intensificar nossos esforços para gerar dados independentes e fazer o nosso melhor para informar devidamente os fumantes sobre estas opções disponíveis e a diferença de risco entre cada opção em comparação com a continuidade do tabagismo. Não podemos esquecer que o snus3, um comprovado produto de tabaco com risco reduzido, com grande evidência epidemiológica apoiando seu papel em reduzir doenças relacionadas ao fumo, foi banido da União Européia deixando fumantes privados de outra opção de redução de risco.

snus3: snus é um termo sueco utilizado para indicar um tabaco úmido, em pó, para uso oral, produzido através de um processo de humidificação a vapor.

Enquanto as evidências são convincentes e se acumulam acerca da grande diminuição de risco dos produtos de redução de riscos, especialmente cigarros eletrônicos, ainda há muitas visões conflitantes e intenso debase entre a comunidade de saúde pública sobre o seu papel no combate ao tabagismo. Claro que há preocupações razoáveis para criar a constante necessidade de monitorar padrões de uso por grupos de população específica, particularmente jovens e não fumantes, mas as evidências são tranquilizadoras e sugerem que os cigarros eletrônicos complementam outros esforços de controle do tabaco, ao invés de contradizê-los. Claro que é preciso intensificar as pesquisas e eventualmente gerar evidência epidemiológica de longo prazo. Mas a atitude “nós não sabemos ainda” é um processo sem fim e altamente enganoso, e uma declaração que fumantes não merecem enquanto eles são continuamente expostos aos riscos do tabagismo.

Fumantes precisam receber informação confiável e equilibrada sobre todas as suas opções e receber sugestões sobre todos os melhores caminhos para suceder no ato de largar o tabagismo (parar por si mesmos ou com medicamentos aprovados). Mas eles NÃO devem ser desencorajados a usar produtos de risco reduzido. O Dia Mundial Sem Tabaco nos lembra que estamos combatendo o fumo, não os fumantes. Neste dia, organizações oficiais de saúde e associações científicas deve se focar no objetivo final, que é aumentar as chances dos fumantes pararem de fumar. Eu espero que as declarações emitidas por essas organizações de saúde no Dia Mundia Sem Tabaco de 2018 sejam polêmicas contra o tabagismo, não contra exclusivas perspectivas e esperanças que a redução de risco do tabaco pode oferecer. Caso contrário, autoridades prestigiadas arriscam ser completamente ignoradas pelos fumantes, ficando de fora dos desenvolvimentos e da evolução que estamos testemunhando. No fim do dia saberemos…

Artigo original: http://www.ecigarette-research.org/research/index.php/whats-new/2018-2/263-wntd2018